
Do sensacionalismo à barbárie.Toda a desinformação e a ignorância que me impediam julgar aqueles que, por motivos mesquinhos e gananciosos, exploram informações cotidianas, transformando-as em espetáculos sensacionalistas e sanguinolentos foram deixadas de lado e deram lugar à minha repulsa e indignação ao ler no noticiário que a mãe de Taubaté (SP) - acusada de envenenar e matar a própria filha, por suposta administração de cocaína ao leite da mamadeira - foi inocentada pelas autoridades.Simplesmente descobriram, através de laudos e exames técnicos, que tudo não passou de um engano...Não era cocaína!!!“Inocentada”... Palavra fácil para imbecis que, através da insuportável exploração da mídia, da banalidade e da desgraça alheia, criam, ao bel prazer, suspeitas infundadas, meias-verdades, pressupostos e sem a menor restrição ou o menor senso crítico, noticiam (literalmente), aos quatro ventos, qualquer coisa, desde que obtenham o resultado esperado – venda de notícias.Enquanto os editores, jornalistas, apresentadores e demais “profissionais” (ênfase nas aspas) dos meios de comunicação repousavam em seus leitos, pagos às custas de tão falaciosa manchete, aquela mãe teve toda a sorte de rótulos como viciada, psicótica e alienada. Presa sem maiores investigações, dentro da cela foi humilhada, surrada e abusada sexualmente por “colegas”, culminando na perda de parte da audição ao ter um dos ouvidos perfurado por uma caneta introduzida pelas próprias detentas, como forma de vingança e repúdio ao seu “ato”.E agora?O que fazer??Quem vai pagar o prejuízo que esta jovem sofreu???!!!E os irremediáveis transtornos (que acabam virando “fatos”) na vida cotidiana de pessoas que, de uma hora para outra, vêem suas vidas, famílias e patrimônios arruinados, destruídos, estilhaçados???Temos, então, mais um caso - tal qual o caso da Escola BASE - que a famigerada imprensa sensacionalista cria para faturar míseros trocados para seus superlativos patrões. A história se repete. Mudaram os personagens, mudou o contexto, mas o enredo é cansativamente o mesmo. Desta vez, não tivemos um cadáver como resultado (mas quase chegou-se lá). Enquanto isso, faltam notícias de como anda o processo contra as empresas de mídia que destruíram a vida do pessoal da Escola BASE.Este tipo de jornalismo feito por pessoas irresponsáveis e que a todo custo procuram carniça para aumentar uns pontinhos no sofista IBOPE, põe em risco de descrédito a imprensa que procura fazer um jornalismo sério e honesto.Solidarizo-me – obviamente – com os bons profissionais de comunicação e jornalismo, pois a função do jornalista não é repercutir, mas apurar. O bom jornalista não é aquele que reproduz acriticamente, mas o que questiona e apura a informação antes de publicá-la, em nome da imparcialidade que defende.O problema é que isso não vende jornal !!!!!Continuamos, dia após dia, vendo as asneiras e barbaridades espalhadas pelas poucas agências de notícias que existem no Brasil e que acabam sendo publicadas como verdade absoluta e incontestável em jornais do país inteiro.Fica a pergunta: Como podemos levar a sério a imprensa nacional?Minha velha (e sábia) mãe diz o seguinte : “Liberdade é muito bom, desde que venha acompanhada de responsabilidade”Tanta irresponsabilidade, insensibilidade e desrespeito não podem prosseguir. Se a mídia não aceita ser “controlada” externamente, que mostre (rapidamente) ser capaz de exercer eticamente sua liberdade.A liberdade de imprensa é necessária, imprescindível e fundamental. Urge, porém, uma conscientização dos seus profissionais sobre ética e responsabilidade.Nota: . O pó branco é, tão somente, leite em pó. Não era cocaína.
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